Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Cordel: FLÁVIO JOSÉ – O Rei do Xote
20/07/2016 10:00 em Coluna do Cordel

Peço a sua licença

Escute o que vou dizer

Pra produzir esses versos

Meu amigo pode crer

Viajei lá pra o sertão

Então pude escrever

 

Ninguém consegue tecer

Versos com inspiração

Como não se faz a rede

Sem a linha de algodão

A planta que dar seu fruto

Tem as raízes no chão

 

Assim toda plantação

Precisa ser irrigada

Mas os versos do poeta

Dar na terra esturricada

Lágrimas de sertanejo

Mantém a terra molhada

 

Considero explicada

A origem dos valores

O meu sertão é celeiro

De poetas cantadores

As canções fazem sucesso

O segredo vem das dores

 

Meus caríssimos leitores

Ouçam o que vou dizer

A poesia e a sanfona

Unidas nos dão prazer

Apenas Flávio José

Faz a junção pra valer

 

Ele consegue fazer

O mundo todo parar

A garota vem correndo

Depressa quer abraçar

No gemido da sanfona

O convite pra dançar

 

Quero te apresentar

Um cantor sem vaidade

Com jeito simples de ser

Seu forte é sinceridade

Nas canções que canta e toca

Vejo sua identidade

Sua nordestinidade

Ele consegue expressar

Esse exímio sanfoneiro

Conseguiu se projetar

Flávio José rei do Xote

É poeta popular

 

Ao vê-lo se apresentar

Compartilho ao mundo inteiro

É talento sertanejo

Esse grande sanfoneiro

Um mito da Paraíba

Natural lá de Monteiro

 

Grande cantor brasileiro

Interpreta nossa dor

Além das composições

É excelente cantor

Flavio José Marcelino

Remígio é cantador 

 

Foi caboclo sonhador

Também diz: Sou o forró

Já cantou o Pajeú

E sertão do Moxotó

Quando canta bota alma

Lembro do meu Seridó

Canta a estrada e o pó

Do nordeste brasileiro

Nas mãos um acordeom

Flávio José é guerreiro

NORDESTINO LUTADOR

Foi o seu disco primeiro

 

Seu cantar é verdadeiro

Ouço e vou ao sertão 

TONHA e ENGENHO VELHO

QUANDO BATE O CORAÇÃO

VENDAVAIS, DE MALA E CUIA

Ele canta a solidão

 

Ouço e sinto emoção

SEM FERROLHO E SEM TRAMELA

É SÓ SAUDADE DA BOA

Pra gente só pensar nela

Canta a fidelidade

O amor que temos por ela

 

Suas canções todas belas

CAIA POR CIMA DE MIM

MENSAGEIRO BEIJA FLOR

MEU CENARIO, É SEMPRE ASSIM

PORQUE SEU OLHAR NÃO MENTE

FILHO DO DONO, em fim

Todo Nordeste diz sim

Flávio José vai cantar

A POEIRA E A ESTRADA

DEIXA O RIO DESAGUAR

O CABOCLO SONHADOR

É lindo de admirar

 

O povo passa a gritar

Quer REPRESA DO QUERER

A CACIMBA DO AMOR

Claro que ouvi dizer

E ESPUMAS AO VENTO

A gente quer reviver

 

Flávio canta pra você

UTOPIA SERTANEJA

E também FILHO DO DONO

Creio que ele almeja

Que a tal da consciência

Com a gente sempre esteja

 

Eu penso que assim seja

A canção dele traz vida

E para reflexão

A letra também convida

Tem TARECO E MARIOLA

Para você que duvida

Uma mensagem aguerrida

Desde que era menino

O Nordeste é valoroso

Orgulho pra o nordestino

Ele é tão singular

Flávio José Marcelino

 

Ele traçou seu destino

É um cantor genial

O forró, o romantismo

Estilo tradicional

Fazendo o Brasil dançar

Seu canto é imortal

 

É um referencial

No seu canto a essência

Nesse forró verdadeiro

Ícone da resistência

No Xote ele merece

Ser chamado Excelência

 

Aqui nessa existência

Flávio José é um mestre

Nascido no Cariri

Na Paraíba Nordeste

O mundo todo admira

Flávio é cabra da peste

Cantou no Sul e Sudeste

Disse muito ter gostado

O forró que lá tocou

Foi muito prestigiado

O verdadeiro forró

Por lá é valorizado

 

E por aí tem tocado

Demonstra força e fé

O mundo todo respeita

Tem aplaudido de pé

Nunca me canso de ouvir

O som de Flávio José

 

Dedicado ele é

Apegado ao seu chão

Na música consciência

E apego ao sertão

O sentimento de um homem

Que ama o seu torrão

 

É Deus quem dar a missão

Ergue um homem pacato

Descobre esse valor

E vai buscar lá no mato

E apresenta ao mundo

Esse forrozeiro nato

Ninguém discorda do fato

Flávio José é qualidade

Aprendeu acordeom

Ainda menor de idade

Aos sete anos tocava

Mostrando capacidade

 

Mostrou que é bom de verdade

Aos dez anos o cabra macho

Já tocava a sanfona

Que tem vinte e quatro baixos

Seu destino estava escrito

Não sou profeta, mas acho

 

Flávio é feito riacho

Que sai do interior

Alcança grande sucesso

Sanfoneiro cantador

Seu nome é maioral

Do Xote é imperador

 

Esse grande tocador

Cantando sua vivência

Recebeu de Gonzagão

Sua maior influência

E o mestre Dominguinhos

Também outra referência

Seu fã clube tem ciência

De tudo que interpretou

Já são oito LP´s

Que em vinil já gravou

E dezessete CD´s

No mercado colocou

 

Flávio José alcançou

Marcou sua trajetória

A carreira de sucessos

O povo tem na memória

Seu canto é um modelo

Marcante em nossa história

 

Merece sim toda glória

Pela determinação

Pelas lutas enfrentadas

De quem nasceu no sertão

E deu a volta por cima

E se tornou campeão

 

Mostrando sempre seu chão

Suas raízes na terra

Cantando a luta e o amor

A vida no pé de serra

Chamando a consciência

A sua arma de guerra

O nordestino não erra

Quando tem que apontar

Quem é melhor cantador

E tocador do lugar

Flávio José é o primeiro

Na lista a figurar

 

Quando você o escutar

Preste atenção, por favor,

Canções de Flávio José

Declaram sempre amor

Revelando o sentimento

Que tem o compositor

 

Ah! Se eu fosse um cantor

Poeta e violeiro

Quem sabe um compositor

Ou um simples sanfoneiro

Faria uma melodia

Pra Flávio o cancioneiro

 

Queria ser forrozeiro

Assim cumprir meu papel

Sanfona ou Acordeom

Seria o meu pincel

Cantando a minha terra

Dessas origens sou réu

Aqui nesse meu cordel

Fiz a minha saudação

Ao Sr. Flávio José

Que canta nosso Sertão

Com música inteligente

Que nutre o coração

 

Em toda composição

Que Flávio bota o fole

Em sua interpretação

É que o mundo se bole

Gravou Petrúcio Amorim

Maciel e Accioly

 

Lá no sertão nada é mole

Só passarinho que voa

Vendo a seca medonha

Bate asas e entoa

Seu canto é coisa bela

Como inspiração soa

 

Já gravou Chico pessoa

E Coroné Caruá

Dorgival e Juarez

Flávio Leandro e Ilmar

Nanado e Itanildo

Sucessos bons pra danar

Ainda dar pra lembrar

Senhor Félix Porfírio

Noel Tavares e João Silva

Leva os fãs ao delírio

E Pinto do Acordeom

Desse Jardim colheu Lírios

 

Seria como martírio

Viver sem poder cantar

Dores que alugam o peito

E não querem se mudar

Canções de Flávio José

Ajudam a suportar

 

Às vezes fico a chorar

Ouvindo Flávio José

As lembranças de menino

Do meu Nordeste de fé

A esperança me acode

E me coloco de pé

 

O nome FLÁVIO JOSÉ

Tem MARCELINO REMÍGIO

Famoso paraibano

Na música tem prestígio

E no mundo do forró

É verdadeiro prodígio

 

Ivaldo Batista Costa é escritor e cordelista. Natural de Carpina, Pernambuco, É membro efetivo da União Brasileira de Escritores (UBE); da União Carpinense de Escritores e Artistas (UCEA) e do Instituto Histórico de Jaboatão dos Guararapes. Formado em História pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Bacharel em Teologia pelo STBNB e pós-graduado em História de Pernambuco. O escritor Ivaldo Batista é o cordelista mais prolífero da atualidade. Tem trabalhos publicados em cordel com temas diversos, que vão de biografias a trajetórias de clubes de futebol e, ainda, história de várias cidades.  

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!