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Em cordel decidi apresentar
Um artista lá de Itabaiana
Importante terra paraibana
Quantas vezes eu já estive lá
O artista do qual eu vou falar
A ponte do Guarita o ouvia
O rio Paraíba assistia
Aplaudia o início da carreira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Um tributo a este sanfoneiro
Que nasceu em uma família pobre
Mas que com seu talento virou nobre
Ganhou cobre até no estrangeiro
Orgulhou o Nordeste brasileiro
Esbanjando talento e simpatia
Até hoje o mundo o reverencia
É um astro da canção brasileira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Filho de José e dona Abdol
Abdólia Albertina e José Dias
Imagine as tantas alegrias
Vendo o filho ter um lugar ao sol
Podem pesquisar até no UOL
Sua carreira e biografia
É merecedor dessa apologia
Seu labor ultrapassou a fronteira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
O menino albino é nascido
Em vinte e seis de maio ano trinta (1930)
Era uma criança tão distinta
Num cenário de um Nordeste sofrido
Um milagre é ter sobrevivido
Ano que João Pessoa morria
Também Getúlio Vargas assumia
O comando da nação brasileira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Ele nasceu numa casa modesta
Feita de taipa e com chão de barro
Sete irmãos sem carruagem ou carro
No Nordeste imperava a “mulesta”
Em Severino um dom se manifesta
Aos quatro anos Severino via
Um sanfoneiro que perto fazia
Uma apresentação de primeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Com nove anos em sua cidade
Viu o seu irmão mais velho ganhar
Uma sanfona, assim pôde estudar
Escondido mostrou habilidade
Já tocava aos dez anos de idade
Em batizado o garoto ia
Em casamento e circo tocaria
Desde criança é nossa bandeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
De início um grupo ele criou
Com Inacinho e Zé do Pandeiro
Animava os bailes forrozeiros
E o seu talento se aprimorou
Mas ligeiro, muito alto sonhou
De Itabaiana ele partia
Na capital do frevo chegaria
Com a sua sanfona companheira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Em Recife Sivuca começou
Pela Rádio Club de Pernambuco
O pessoal de lá ficou maluco
Quando ele lá se apresentou
A direção da Rádio o empregou
Por SIVUCA lá se batizaria
Quem mais nutriu por Sivuca empatia
Foi o grande maestro Nelson Ferreira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Depois trabalhou na Rádio Jornal
E já tendo melhorado de vida
Trouxe a sua família querida
Pra morar em Recife capital
Conseguiu gravar na Continental
O seu disco a público viria
CARMÉLIA ALVES o ajudaria
Ela foi uma cantora guerreira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Em cinquenta e cinco se transferiu
Foi contratado na Rádio Tupi
Neste tempo artista tinha que ir
Lá no Sudeste ele progrediu
Tantas idas Rio-São Paulo- Rio
Era Sivuca nesta correria
Em diversos lugares ele ia
Tão distante da sua terra brejeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Destacou-se nas apresentações
Em todos os lugares que tocava
O Brasil inteiro admirava
Até em suas participações
Ele foi apresentado às nações
Em duas caravanas ele seguia
Pelo exterior se mostraria
Indicado por Humberto Teixeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Na sanfona, violão ou vocal
Sivuca foi mestre e arranjador
Compositor, cantor, orquestrador
Em tudo que ele fez foi genial
É um grande orgulho nacional
Até Luiz Gonzaga o aplaudia
Seu legado pra sempre ficaria
Ele é ícone da canção brasileira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Além da sanfona, do acordeão
O Sivuca também tocou piano
Na guitarra este paraibano
Mostrou que também era sensação
Ele mandava bem na percussão
Choro, frevo, baião também sabia
Jazz, Blue ele também curtia
MPB e música estrangeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Em sessenta e dois foi reconhecido
Eleito o melhor acordeonista
Em Paris foi visto o melhor da lista
Um reconhecimento merecido
Tendo em Nova York residido
Por doze anos Sivuca ouvia
Elogios por sua maestria
Foi orgulho da nação brasileira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Seu baião “Adeus Maria Fulô”
E a sua bonita melodia
Onde Chico criou “João e Maria”
A tal letra feita posterior
Uma canção que todos dão valor
Foi gigante a sua discografia
Clara Nunes revelou-se parceira
“Feira de Mangaio” lembra a mineira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Depois de uma turnê no exterior
Residiu em Lisboa - Portugal
Lá na França em Paris capital
New York deu a ele valor
Por 12 anos lá foi morador
Só com artista top tocaria
Junto a ele se apresentaria
Ele brilhou em terra estrangeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Depois que o mundo inteiro viu
O paraibano mais afamado
Tendo os quatro cantos conquistado
Em setenta e cinco volta ao Brasil
Tão importante foi o nosso “Biu”
Artista de grande categoria
O planeta todo reconhecia
Este orgulho da nação brasileira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Com a Glória Gadelha se casou
Ela foi cantor compositora
Dessa sua relação duradora
Só uma filha no mundo deixou
Três netinhos que o avô corujou
Pedro, Lirah, Livia deram alegria
O rico acervo que deixaria
Tá aos cuidados de Flávia herdeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Seu Sivuca como bom nordestino
Homem forjado em nossa região
Transitou do litoral ao sertão
É doutor honoris causa, é divino
Teve com Guerra Peixe um refino
Para dominar toda teoria
Musical que o aperfeiçoaria
Gerando este músico de primeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Depois da fama internacional
Acompanhado da sua sanfona
Aos 76 anos desmorona
Na laringe a sentença cabal
Morreu em João Pessoa capital
Uma lei pra sempre o reverencia
DIA do SANFONEIRO é seu dia
JAMPA é da cultura uma parceira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
O conhecido “poeta do som”
Na melodia era sumidade
Era essência da musicalidade
Foi a personificação de um dom
Pense num sujeito pra lá de bom
Cujo som pra sempre ecoaria
Em quatorze do doze falecia
Dois mil e seis pôs fim nesta carreira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Ele foi o maior acordeonista
Reconheceu o mestre Dominguinhos
Mui sincero falou do seu carinho
Por Sivuca multi-instrumentista
Na sanfona um especialista
É “sem PARÊA” o que ele fazia
Esta lacuna que o mundo sentia
Fez da gente sanfona gemedeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
Nesta hidrografia especial
Este rio que brotou num cantinho
Traçou seu leito próprio, seu caminho
Dos seus cânions em solo nacional
Resolveu banhar solo universal
Som das águas que o mundo beberia
Banhou todas as terras que queria
Mas deságua em Jampa altaneira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
O Paraíba que testemunhou
Viu o nascer deste filho brilhante
Aplaudindo de pé este gigante
Quando o seu show da vida terminou
Quando o rio na capital chegou
Celebrou o maestro sinfonia
João Pessoa assim se despedia
Rio e Mar aplaudiam na cadeira.
Severino Dias de Oliveira
É SIVUCA, sanfona e poesia.
