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Cordel: SIVUCA – Um rio de sanfona & Poesia
Autor: Ivaldo Batista
Por Cláudio Rocha
Publicado em 11/02/2026 13:30 • Atualizado 11/02/2026 13:36
Coluna do Cordel

 

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Em cordel decidi apresentar

Um artista lá de Itabaiana

Importante terra paraibana

Quantas vezes eu já estive lá

O artista do qual eu vou falar

A ponte do Guarita o ouvia

O rio Paraíba assistia

Aplaudia o início da carreira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Um tributo a este sanfoneiro

Que nasceu em uma família pobre

Mas que com seu talento virou nobre

Ganhou cobre até no estrangeiro

Orgulhou o Nordeste brasileiro

Esbanjando talento e simpatia

Até hoje o mundo o reverencia

É um astro da canção brasileira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia. 

 

Filho de José e dona Abdol

Abdólia Albertina e José Dias

Imagine as tantas alegrias

Vendo o filho ter um lugar ao sol

Podem pesquisar até no UOL

Sua carreira e biografia

É merecedor dessa apologia

Seu labor ultrapassou a fronteira.

Severino Dias de Oliveira 

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

O menino albino é nascido

Em vinte e seis de maio ano trinta (1930)

Era uma criança tão distinta

Num cenário de um Nordeste sofrido

Um milagre é ter sobrevivido

Ano que João Pessoa morria

Também Getúlio Vargas assumia

O comando da nação brasileira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Ele nasceu numa casa modesta

Feita de taipa e com chão de barro

Sete irmãos sem carruagem ou carro

No Nordeste imperava a “mulesta”

Em Severino um dom se manifesta

Aos quatro anos Severino via

Um sanfoneiro que perto fazia

Uma apresentação de primeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Com nove anos em sua cidade

Viu o seu irmão mais velho ganhar

Uma sanfona, assim pôde estudar

Escondido mostrou habilidade

Já tocava aos dez anos de idade

Em batizado o garoto ia

Em casamento e circo tocaria

Desde criança é nossa bandeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

De início um grupo ele criou

Com Inacinho e Zé do Pandeiro

Animava os bailes forrozeiros

E o seu talento se aprimorou

Mas ligeiro, muito alto sonhou

De Itabaiana ele partia

Na capital do frevo chegaria

Com a sua sanfona companheira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Em Recife Sivuca começou

Pela Rádio Club de Pernambuco

O pessoal de lá ficou maluco

Quando ele lá se apresentou

A direção da Rádio o empregou

Por SIVUCA lá se batizaria

Quem mais nutriu por Sivuca empatia

Foi o grande maestro Nelson Ferreira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Depois trabalhou na Rádio Jornal

E já tendo melhorado de vida

Trouxe a sua família querida

Pra morar em Recife capital

Conseguiu gravar na Continental

O seu disco a público viria

CARMÉLIA ALVES o ajudaria

Ela foi uma cantora guerreira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Em cinquenta e cinco se transferiu

Foi contratado na Rádio Tupi

Neste tempo artista tinha que ir

Lá no Sudeste ele progrediu

Tantas idas Rio-São Paulo- Rio

Era Sivuca nesta correria

Em diversos lugares ele ia

Tão distante da sua terra brejeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Destacou-se nas apresentações

Em todos os lugares que tocava

O Brasil inteiro admirava

Até em suas participações

Ele foi apresentado às nações

Em duas caravanas ele seguia

Pelo exterior se mostraria

Indicado por Humberto Teixeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Na sanfona, violão ou vocal

Sivuca foi mestre e arranjador

Compositor, cantor, orquestrador

Em tudo que ele fez foi genial

É um grande orgulho nacional

Até Luiz Gonzaga o aplaudia

Seu legado pra sempre ficaria

Ele é ícone da canção brasileira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Além da sanfona, do acordeão

O Sivuca também tocou piano

Na guitarra este paraibano

Mostrou que também era sensação

Ele mandava bem na percussão

Choro, frevo, baião também sabia

Jazz, Blue ele também curtia

MPB e música estrangeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Em sessenta e dois foi reconhecido

Eleito o melhor acordeonista

Em Paris foi visto o melhor da lista

Um reconhecimento merecido

Tendo em Nova York residido

Por doze anos Sivuca ouvia

Elogios por sua maestria

Foi orgulho da nação brasileira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Seu baião “Adeus Maria Fulô”

E a sua bonita melodia

Onde Chico criou “João e Maria”

A tal letra feita posterior

Uma canção que todos dão valor

Foi gigante a sua discografia

Clara Nunes revelou-se parceira

“Feira de Mangaio” lembra a mineira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Depois de uma turnê no exterior

Residiu em Lisboa - Portugal

Lá na França em Paris capital

New York deu a ele valor

Por 12 anos lá foi morador

Só com artista top tocaria

Junto a ele se apresentaria

Ele brilhou em terra estrangeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia. 

 

Depois que o mundo inteiro viu

O paraibano mais afamado 

Tendo os quatro cantos conquistado

Em setenta e cinco volta ao Brasil

Tão importante foi o nosso “Biu”

Artista de grande categoria

O planeta todo reconhecia

Este orgulho da nação brasileira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Com a Glória Gadelha se casou

Ela foi cantor compositora

Dessa sua relação duradora

Só uma filha no mundo deixou

Três netinhos que o avô corujou

Pedro, Lirah, Livia deram alegria

O rico acervo que deixaria

Tá aos cuidados de Flávia herdeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Seu Sivuca como bom nordestino

Homem forjado em nossa região

Transitou do litoral ao sertão

É doutor honoris causa, é divino

Teve com Guerra Peixe um refino

Para dominar toda teoria

Musical que o aperfeiçoaria

Gerando este músico de primeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Depois da fama internacional

Acompanhado da sua sanfona

Aos 76 anos desmorona

Na laringe a sentença cabal

Morreu em João Pessoa capital

Uma lei pra sempre o reverencia

DIA do SANFONEIRO é seu dia

JAMPA é da cultura uma parceira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

O conhecido “poeta do som”

Na melodia era sumidade

Era essência da musicalidade

Foi a personificação de um dom

Pense num sujeito pra lá de bom

Cujo som pra sempre ecoaria

Em quatorze do doze falecia

Dois mil e seis pôs fim nesta carreira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Ele foi o maior acordeonista

Reconheceu o mestre Dominguinhos

Mui sincero falou do seu carinho

Por Sivuca multi-instrumentista

Na sanfona um especialista

É “sem PARÊA” o que ele fazia

Esta lacuna que o mundo sentia

Fez da gente sanfona gemedeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

Nesta hidrografia especial

Este rio que brotou num cantinho

Traçou seu leito próprio, seu caminho

Dos seus cânions em solo nacional

Resolveu banhar solo universal

Som das águas que o mundo beberia

Banhou todas as terras que queria

Mas deságua em Jampa altaneira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

O Paraíba que testemunhou

Viu o nascer deste filho brilhante

Aplaudindo de pé este gigante

Quando o seu show da vida terminou

Quando o rio na capital chegou

Celebrou o maestro sinfonia

João Pessoa assim se despedia

Rio e Mar aplaudiam na cadeira.

Severino Dias de Oliveira

É SIVUCA, sanfona e poesia.

 

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