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Entrevista com Rinaldo Ferraz da Sala de Reboco
06/04/2016 20:35 em Entrevistas


Quando foi criada a Sala de Reboco e com que finalidade?

Rinaldo Ferraz: A Sala de Reboco foi oficialmente inaugurada em 03/07/1999. Falo oficialmente porque um pouco antes já fazíamos pequenas reuniões de amigos como Josildo Sá, Anchieta Dali, Chico Balla, dente outros, mas sem o caráter profissional que passamos a ter após tal inauguração. 

A finalidade da criação desta Casa foi de resgatar o autêntico forró pé-de-serra, o forró da linha Gonzaguiana. Vale ressaltar que em 1999, estas bandas de forró estilizado estavam em pleno auge, e dificilmente se ouvia o bom forró.

Outra importante finalidade da Sala de Reboco é, além de ser um espaço para a divulgação dos trabalhos dos artistas forrozeiros, lançar novos talentos deste estilo musical.

 

O que o turista vai encontrar de mais característico na Sala de Reboco?

Rinaldo Ferraz: A nossa música. O bom forró tem encantado todos que por aqui passam. Também temos uma pequena loja, onde vendemos CD’s de forró, o que ajuda bastante a projetar nossos artistas.

 

Além da musica, os  frequentadores contam também com outros atrativos, como a gastronomia regional?

Rinaldo: Sim. O nosso cardápio é bem regionalizado. Temos, por exemplo, o bode assado e frito, a lingüiça de bode, o arrumadinho de feijão com carne de sol, o escondidinho de charque, diversos caldinhos, etc. Todos em um preço bem acessível.

 

Quais os projetos em execução e os que estão previstos para o futuro?

Rinaldo: Nós temos vários projetos culturais, dentre eles o “Quartas de Cantoria”, onde já se apresentaram artistas renomados como Xangai, Elomar, Maciel Melo, o cearense Ednardo, Belchior, Renato Teixeira e muitos outros. É um trabalho mais de “voz e violão”.

Agora estamos com uma novidade: Estou abrindo, em parceria com a empresária Claudia Lorentz uma filial da Sala de Reboco no ALTO DO MOURA, em Caruaru. Esta cidade que é mundialmente conhecida como “a Capital do Forró”, na realidade não tinha nenhuma casa dedicada o ano todo a este ritmo que a consagrou. A expectativa é grande!

 

A Sala tem parceiros que colaboram na execução desses projetos?

Rinaldo: Tem sim. Além dos artistas, que aqui se apresentam com um cachê diferenciado, contamos com o apoio cultural da Rede Globo Nordeste e de alguns divulgadores como Ivan Ferraz no seu programa “Forró Verso e Viola”, pela Universitária FM, Elias Lourenço, nas madrugadas da Rádio Folha, etc.

Também temos parcerias com fornecedores, a exemplo da Brasil Kirin, Engarrafamentos Pitú, Bacardi e Red Bull. São empresas que reconhecem a importância e seriedade do nosso trabalho.

Já dos órgão públicos, não temos nenhuma ajuda. Muito pelo contrário, pagamos um IPTU altíssimo (quase R$12.000,00 em taxa única, pois se fosse dividir seria pior), além dos demais impostos que não cabe aqui mencionar. 

Você tem uma ideia de quantos artistas já se apresentaram durante toda a existência da Sala?  

Rinaldo: Fica difícil mensurar estes números, mas, ao longo de quase 17 anos de existência, funcionando de quinta a sábado, além de algumas vésperas de feriados e alguns domingos, já realizamos mais de 3.000 shows com artistas de todas as partes do Brasil. Foram centenas deles que passaram pelo palco da Sala de Reboco. Para citar alguns exemplos: Dominguinhos, Sivura, Elba Ramalho, Marinês, Geraldo Azevedo, Amelinha, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Waldonys, Amazan, Trio Nordestinho, Adelmário Coelho, Flavio José, Ton Oliveita, Biliu de Campina, Flavio Leandro, Anchieta Dali, Josildo Sá, Geraldinho Lins, Sirano & Sirino, Nadia Maia, Cristina Amaral, Irah Caldeira, Terezinha do Acordeon, Acioly Neto, Félix Porfírio, Assisão, Azulão de Caruaru, dentre outros. Eu passaria um dia inteiro citando nomes de forrozeiros que já brilharam em nosso palco.

 

Vale a pena manter um estabelecimento desse porte?

Rinaldo: A luta é grande! Se não for feito com prazer, o sujeito desiste. Mas, o prazer de ter ao lado grandes artistas que sempre admirei, o reconhecimento do público, a intenção de manter viva a nossa cultura, etc., supera todos estas dificuldades. Quando as pessoas perguntam sobre minha formação sempre respondo: sou sertanejo, nascido em Floresta do navio, criado em Tacaratu, formado em Telecomunicações, Engenharia Elétrica (modalidade Eletrônica), Advogado, mas minha especialidade é no FORRÓ PÉ-DE-SERRA!

 

Sala de Reboco - Quinta a Sábado, a partir das 21h. Informações: http://saladereboco.com.br/ 

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