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Repente é registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
16/11/2021 14:59 em Notícias

Nesta quinta-feira (11), o Conselho Consultivo aprovou, por unanimidade, o registro da manifestação cultural. Com a decisão, Pernambuco agora soma 13 bens registrados

Uma das referências da identidade nordestina, o Repente foi reconhecido, nesta quinta-feira (11), como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil durante a 98ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Durante a reunião, os 22 conselheiros aprovaram por unanimidade o registro da manifestação cultural.

Também conhecida como Cantoria, a manifestação reúne verso, rima e oração, consideradas como os fundamentos do Repente. Os cantadores e cantadoras distribuem-se nas capitais e no interior dos Estados do Nordeste e, também, nas regiões para onde houve migrações da população nordestina.

Com o reconhecimento do Conselho Consultivo do Iphan, o Repente foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão, e se soma a outros 12 bens imateriais de Pernambuco registrados: Baianas de Acarajé, Feira de Caruaru, Frevo, Roda de Capoeira, Mestres de Capoeira, Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto, Cavalo Marinho, Teatro de Bonecos Popular do Nordeste – Mamulengos, Caboclinho, Literatura de Cordel e Ciranda do Nordeste.

“Em Pernambuco, temos como uma das representantes do Repente nossa Patrimônio Vivo Mocinha de Passira. Vale destacar também que, em dezembro deste ano, o Conselho Consultivo do Iphan avaliará o pedido de registro das Matrizes do Forró, o que significa que Pernambuco pode encerrar o ano com 14 bens registrados, mostrando a força da cultura do nosso Estado”, ressaltou Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe.

“A poesia, o canto, a musicalidade, a profissão dos cantadores compõem o Repente, agora salvaguardados pelo Iphan, que terá o apoio da Secult-PE e Fundarpe na preservação deste bem cultural”, destacou Gilberto Freyre Neto, secretário Estadual de Cultura.

REGISTRO - O pedido de registro do Repente foi formalizado no ano de 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno. Desde então, o Iphan, autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo, iniciou o processo de registro, que culminou no dossiê de registro, produzido em parceria com o Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UNB).

“Repente é poesia. Cantada e improvisada. Em linhas gerais, é um diálogo poético em que dois repentistas se alternam cantando estrofes criadas naquele instante ao passo em que se acompanham com toques de violas”, destaca o dossiê de registro do bem, que listou mais de 200 contatos entre repentistas, associações e apologistas, público com grande familiaridade junto ao Repente.

O dossiê elaborado também documenta mais de 50 modalidades de repente, dentre as quais estão os versos heptassílabos, cuja acentuação tônica obrigatória está na sétima sílaba, e decassílabos, em que o acento obrigatório está na terceira, sexta e décima sílabas de cada verso.

“É motivo de grande alegria ter as rimas e os versos do Repente adentrando o rol do Patrimônio Cultural do Brasil, tanto por sua importância histórica quanto pela beleza da poesia e da música da manifestação”, comemorou a presidente do Iphan, Larissa Peixoto, que também preside o Conselho Consultivo.

HISTÓRIA - Há registros da prática do Repente desde meados do século XIX nos Estados de Pernambuco e Paraíba, conforme fontes históricas. As ocorrências mais antigas têm origem na Serra do Teixeira, na Paraíba. No início do século passado, a manifestação teve importante papel na difusão do rádio na região. Até então, a maior parte dos repentistas tinha origem rural, vivendo no interior e cantando para plateias camponesas.

Uma realidade que se transformou na década de 1950, com os cantadores se fixando nas cidades à procura de ferramentas que auxiliassem a atuação do repentista, especialmente o rádio e o correio. Aos programas radiofônicos, no decorrer das décadas de 1980 e 1990, se somaram a gravação de discos e a realização de festivais – mantendo a origem rural dos poetas. Mais recentemente, a internet se tornou mais uma ferramenta para a divulgação de cantorias e festivais.

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