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Zé Ramalho
Início 27/11/2026 às 20:00
Fim 27/11/2026 às 22:00
Local Classic Hall, Olinda
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Zé Ramalho chega aos 77 anos de vida com uma posição única na música popular brasileira.

É um momento de comemoração, e também de consolidação da sua presença sempre

inquieta, criativa e antenada.

Antes mesmo de seu lançamento como artista profissional com seu histórico primeiro álbum

Zé Ramalho — a que os fãs ainda hoje se referem como “o disco do Avôhai” —, Zé Ramalho

já acumulava realizações poéticas e musicais, tendo participado de bandas de rock em João

Pessoa e publicado literatura de cordel (Apocalypse Agalopado, 1975).

O imenso sucesso do disco de estreia ajudou a definir as linhas principais de sua imaginação

criadora: o rock, a música regional, a poesia popular do Sertão nordestino, o misticismo, a

crítica social, o realismo fantástico e o psicodelismo. Elementos que ao longo destes 77 anos

de vida ele se dedicou a cultivar e a fundir à sua maneira única e pessoal.

O impacto de seus primeiros álbuns surpreendeu a crítica musical e arrebatou o público. Os

anos 1970 foram a época de uma grande “chegada” de artistas nordestinos nos palcos do Rio

e São Paulo. Dentro dessa constelação de brilhos, a poética de Zé Ramalho reluzia com luz

própria e uma estranheza que chamava a atenção. Neste início, já estava bem nítida a

presença impositiva no palco, a voz ora irônica, ora cavernosa, a batida segura na cadência

roqueira e o balanço agitado do forró.

A força mais sedutora estava nas letras, cuja poética rica e inesperada ajudou a fazer da obra

de Zé Ramalho uma referência obrigatória na história do psicodelismo e da contracultura na

MPB. O universo poético de Zé Ramalho bebe tanto no folk-rock como nos violeiros do Vale

do Pajeú, despertando associações, memórias ancestrais e lampejos futuristas misturados a

intuições tão antigas quanto as pedras sertanejas.

E não somente o compositor. O intérprete Zé Ramalho, entre 1991 e 2022, lançou uma série

de álbuns-homenagem onde absorve e recria a obra de artistas que o marcaram quando

jovem: Brasil Nordeste, Nação Nordestina, Zé Ramalho canta Raul Seixas, Zé Ramalho canta

Bob Dylan – Tá Tudo Mudando, Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga, Zé Ramalho canta Jackson

do Pandeiro e Zé Ramalho canta Beatles.

São décadas de uma criação musical em que compositor e intérprete se completam, pois todo

intérprete musical traz para perto de si o que de algum modo se harmoniza com seu espírito,

sua voz e sua intenção de canto. O próprio Zé Ramalho costuma dizer, sobre uma música

alheia que pretende gravar: “Calma, ainda estou ramalheando a música pra deixar no ponto”.

O “ponto” é a sua combinação única de discurso poético, presença de palco, voz inconfundível

e repertório raro de influências bem assimiladas.

Nestes 77 anos, ele produziu uma obra de mais de 30 álbuns, atingindo a expressiva marca

de 6 milhões de cópias vendidas — com destaque para o CD duplo 20 Anos: Antologia

Acústica (1997), que ultrapassou 1 milhão de cópias.

Do disco do “Avôhai” até o álbum mais recente, Ateu Psicodélico, Zé Ramalho construiu uma

estrada de canções cujo sucesso não se esgota na novidade; pelo contrário: torna-se mais

sólido com o passar do tempo. Para o público fiel que consolidou ao longo da jornada, receber

um novo show ou um novo disco de Zé Ramalho é reencontrar algo único, uma experiência

que vai além dos rótulos e dos gêneros musicais: “uma espécie de pacto de fidelidade que se

renova ano a ano”.

Braulio Tavares

 

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