Volume
Cordel: Centenário do Rei do Baião Luiz Gonzaga 1912-2012
05/12/2017 - 9h33 em Coluna do Cordel

Amigo Luiz Gonzaga

Majestade do baião

Tu estás na eternidade

Também no meu coração

Vou contar a tua vida

Peço a vossa permissão

 

Ele é filho do sertão

De Exu é natural

Foi em 1912

Dezembro que é mês final

Dia 13 o nascimento

No lindo mês do natal

 

De Pernambuco é natural

Araripe sua região

Exaltou o pajeú

E cada parte desse chão

Todo povo agradecido

Sempre lembra o Gonzagão

 

 

Lembro da tua canção

Do xote maracatu

Da toada e do xaxado

A feira de caruaru

Com ritmo bem nordestino

És flor de mandacaru

 

Que sucesso lá no sul

Este ano é o centenário

Vamos homenagear

Um homem quase lendário

Que está impregnado

Em todo nosso imaginário

 

Cantou para o operário

Do campo da construção

Cantou missa do vaqueiro

Tocou noites de São João

Homenagem a Juazeiro

Do padre Ciço Romão

 

Conheço o Gonzagão

É sem fim essa História

Começa com um sanfoneiro

Do sertão que vai embora

Na cidade com saudade

Sertanejo senta e chora

 

Lembra da vida de outrora

De Exu sua cidade

Sua música sua casa

Revela identidade

Cantou e interpretou

Com grande capacidade

 

Com cem anos de idade

Sertanejo nordestino

Sai de casa logo cedo

Quando ainda era menino

Foge da seca medonha

O sudeste é seu destino

 

Com roupa de Virgolino

Exaltou todo sertão

Decantou a asa branca

Assum preto e o azulão

Acauã e o carcará

Que voa feito avião

 

E o jumento nosso irmão

Falou bem dos animais

Sofrendo na terra seca

Ele não esqueceu jamais

Nas casas as plantações

Existente em seus quintais 

 

Respeitou sempre seus pais

Sua mãe dona Santana

Ana Batista de Jesus

Ai que légua tão tirana

Ah se Deus do céu quisesse

Inda hoje eu via Ana

 

Luiz cabra bacana

Teve ao todo oito irmãos

Com saudade da terrinha

Fez ABC do sertão

Tocando sua sanfona

Exaltou a tradição

 

Por que essa judiação

Sabiá já não entoa

O sertão esturricado

Não caiu uma garoa

A ave sem esperança

Dá o aviso e logo voa

 

Do choro faz uma lagoa

O remédio é cantar

Tocando o sanfoneiro

Até o dia raiar

Se um dia a chuva cai

Ele pensa em voltar 

 

Por enquanto é só penar

Quando veio do Bodocó

Sua vida era difícil

Amargou feito jiló

Procurando a sua sorte

Que saudade do xodó

 

Deixo um beijo pra Filó

Sua vida foi dureza

Muita luta e persistência

Alcançou uma riqueza

Cantou os temas mais simples

Inclusive a natureza

 

Seu exemplo foi beleza

Estando lá no roçado

Ou no topo de sua fama

Pelo tempo coroado

Esse gênio da cultura

Mereceu esse reinado

 

Apesar de ter penado

Como todo bom vaqueiro

Coração feito manteiga

Sucesso no estrangeiro

É exemplo a ser seguido

Pelo povo brasileiro 

 

Sua roupa de cangaceiro

Um dia ele trocou

Pela paz entre as famílias

O vaqueiro ele abraçou

Amor e ecologia

Tudo isso ele cantou

 

Bons parceiros ele encontrou

Gravou Humberto Teixeira

João Silva Nelson Valença

Importante em sua carreira

Zé Dantas e Zé Marcolino

Foi sucesso a vida inteira

 

Em Samarica parteira

Foi escola para vida

Nas terras onde passou

Sempre arrumou guarida

Cantou a mulher de hoje

Com uma arma é atrevida

 

Gonzaga sempre convida

A andar nesse país

Guardando as recordações

Descansar e ser feliz

Lembrando os seus caminhos

Quando ainda era aprendiz 

 

Um resumo aqui eu fiz

De temas os mais contados

Seu Luiz cantou o homem

A lavoura e o roçado

O soldado e o padre

E também vida de gado

 

Não esqueço o delegado

Eu não gosto de fuá

E do verde papagaio

Nem do pano de bilhar

O sertão meu Araripe

Qualquer dia vou voltar

 

De joelho pra rezar

Pede chuva pro sertão

Pois foi lá no pé de serra

Que ficou seu coração

Sem água o mato seca

Lá se foi a plantação

 

Aprendi a divisão

Você tem que me voltar

Dezessete e setecentos

Quando Anselmo ia tocar

Com as vozes lá da seca

Ensinou a protestar

 

Lula pode governar

Gonzaga do nascimento

Em sua simplicidade

Através do ensinamento

De tuas sábias palavras

Ou no som do instrumento

 

Na apologia ao jumento

Reconheço teu valor

Tens saber e experiência

Na vida tu és doutor

Com exceção de Januário

És o maior tocador

 

Olha pro céu meu amor

Pernambuco te agradece

Por cantares nossas cidades

Tua música nos enobrece

Nos versos dos teus poemas

Nossa gente é quem mais cresce

 

Nem aqui se eu quisesse

Podia me esquecer

Quando ainda adolescente

Viu amor florescer

Nazinha foi proibida

Ele teve que correr 

 

É novela prá TV

Um romance inacabado

O amor foi proibido

Pelo Raimundo Delgado

Luiz foi prá Fortaleza

No Exército alistado

 

Como todo bom soldado

Ele sabia tocar

De sargento a coronel

A ordem é respeitar

Foi exemplo para todos

No serviço militar

 

Sua sina era cantar

Lutou por um ideal

Quando veio de sua terra

Sua cidade natal

Trouxe a sua bagagem

Prá lidar na capital

 

Foi um bom profissional

Há instantes de tormento

Mas o homem é sertanejo

Não se abala com lamento

Não desiste da idéia

E nem foge um só momento 

 

Foi assim seu crescimento

No teatro apresentou

Nas músicas em parcerias

O sucesso ele alcançou

No Brasil e no estrangeiro

Gonzagão se consagrou

 

O reinado então chegou

Gonzaga é venerado

Os artistas nordestinos

Parecem ter copiado

A receita do sucesso

Desse rei eternizado

 

Todo artista afamado

Sabe um xote ou um baião

Do filho de Januário

Todos lembram uma canção

Vamos bater palmas agora

Prá seu “Lua” o Gonzagão

 

Um orgulho prá nação

Dessa pátria mãe gentil

És o eterno cantador

Nesse mundo varonil

Obrigado por cantares

Os encantos do Brasil 

 

O mundo todo ouviu

O que Gonzaga cantou

Toda a população

Aplaudiu por que gostou

E uma escola de artistas

Luiz Gonzaga formou

 

O mestre se projetou

Em toda essa geração

Uns trilharam seu caminho

Ou até na contra mão

Seguindo o seu exemplo

Ou pela inspiração

 

Faço aqui a relação

Pra você continuar

Com outros possíveis nomes

Você aí vai lembrar

Nesse cordel tão pequeno

É impossível citar

 

Tem Caetano e Alcymar

Pra cantar pelo Brasil

O Zé ramalho e a Elba

Djavan Gilberto Gil

Ivan Ferraz Marinês

Por essa trilha seguiu

 

 

Todo o Nordeste já viu

Santana o cantador

Excelente Alceu Valença

Gonzaguinha sem rancor

O grande Raimundo Fagner

Todos sabem seu valor

 

Teve o grande seguidor

Nosso mestre Dominguinhos

Ainda hoje em Recife

É lembrado com carinho

Lá no Clube da SUDENE

Ele tem o seu cantinho

 

Nosso Jorge de Altinho

Esse grande forrozeiro

Seu Geraldo Azevedo

E o Jackson do pandeiro

Flávio José Rei do Xote

Conquista o mundo inteiro

 

Viva nosso sanfoneiro

Na vida de um moi de fã

Gonzaga está presente

Ontem hoje e amanhã

No Brasil de Norte a Sul

Somos parte desse clã.

 

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