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Zenilton dominou as paradas com a sua música de duplo sentido
02/07/2020 01:33 em Notícias

José Nilton Veras, mais conhecido pelo apelido Zenilton, é cantor compositor e sanfoneiro pernambucano que ganhou fama pelo teor humorístico de suas letras. Zenilton foi creditado pelos integrantes da banda de rock “Raimundos” como uma das suas influências musicais.

Zenilton nasceu em 14 de fevereiro de 1939 na cidade de Salgueiro, na região do sertão central de Pernambuco a mais de 500 quilômetros do Recife. Ainda criança começou a gostar de música e, aos 14 anos, começou a aprender a tocar acordeon, almejando um futuro como músico profissional. Seu pai, que era dentista do Exército, foi contra, por achar que a carreira de músico não tinha nenhum futuro.  Seu primeiro álbum foi “Fofocando”, gravado em 1967, e já trazia letras bem humoradas.  Durante a época do regime militar, Zenilton passou a usar trocadilhos em suas letras para escapar da censura que existia aos artistas.   

    

Embora tenha lançado o primeiro LP em 1960, ele só se tornou sucesso nacional na década de 70, com forrós de duplo sentido. “Capim Canela” iniciou a série de musicas de sucesso: "Meu gado emagreceu, que só se vê a costela/ a salvação disso tudo foi o capim canela/ a criação engorda comendo capim canela/ é só capim canela, é só capim canela". Depois veio, “A Veia Debaixo da Cama” e “Bacalhau à Portuguesa”: - “Eu quero cheirar seu bacalhau/ Maria, quero cheirar seu bacalhau". Outra “Deixei de Fumar”: - "Só fumo no cachimbo da mulher/ fumar cigarro nunca mais eu me acostumo/ todo dia fumo no cachimbo da mulher".   

Zenilton revela que foi levado ao duplo sentido por causa de Luiz Gonzaga. Foi fazer um show numa fazenda, na Bahia, ele, Marinês, Gonzaga e o Trio Nordestino.  Na sua apresentação, era prá cantar durante 45 minutos e ele passou o dobro do tempo só cantando musicas do “Rei do Baião”.  Quando terminou Gonzagão estava arretado porque ele tinha cantado quase todo o seu repertório. 

Zenilton confessa que o carão do Rei do Baião o deixou meio chateado. Passou um caminhão por Salgueiro, em 1958, ia pra São Paulo. Viajou nele 18 dias prá chegar na capital paulista.  Não conhecia ninguém na cidade. Só tinha uma sanfoninha e uma sacola com roupa. Foi pra Praça da Sé tocar e cantar. Um dia apareceu um português que queria aprender a tocar sanfona. Fizeram um acordo. Zenilton ficava dormindo nos fundos do bar do português e em troca ensinaria sanfona. O português voltou pra Portugal e Zenilton comprou o bar dele. E foi comprando outros. Chegou a ter 14 bares pequenos, tipo lanchonete. Daí foi conhecendo os músicos, o povo do rádio começou a convida-lo para programas e ele acabou abraçando a carreira. Foi justamente em São Paulo, que Raul Seixas, de quem era amigo, o aconselhou a cantar coisas engraçadas. Aí gravou “Capim Canela”. No outro ano, foi fazer um show na mesma fazenda, Luiz Gonzaga também estava lá e veio lhe abraçar dizendo:- “Está vendo como foi bom eu lhe aconselhar? Fui pro Rio de Janeiro, e lá todas as rádios só tocavam você”.  Zenilton também passou muitos anos em Portugal, onde também teve influência em Quim Barreiros, artista muito popular no país, na linha duplo sentido.          

Com três filhos bem encaminhados (uma filha é médica) e seus 81 anos bem vividos, Zenilton sente saudades de muita coisa e não se arrepende de nada do que fez em sua árdua e laboriosa carreira artística.

 

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