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Livro reúne tradições pernambucanas que são bens imateriais do Brasil
23/08/2018 16:21 em Notícias

Pela primeira vez reunidos em uma única publicação, os nove bens culturais de Pernambuco que foram registrados como bens imateriais do Brasil pelo IPHAN agora têm sua história e processo de registro detalhados no livro “Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco”. Organizado pela socióloga Jacira França e pelo historiador Marcelo Renan Souza, o material é uma coletânea de textos inéditos sobre a Feira de Caruaru, Frevo, Roda de Capoeira, Ofício dos Mestres de Capoeira, Maracatu-Nação, Maracatu de Baque Solto, Cavalo-Marinho, Teatro de Bonecos (Mamulengo) e Caboclinho.

“Essa publicação é uma forma de preservar esses bens e dar um retorno à sociedade e aos detentores de cultura de como foi feito esse processo de registro no IPHAN. Para isso, convidamos coordenadores dos inventários e pessoas envolvidas para falar como foi o processo de preparação desses documentos de cada bem imaterial, mostrando como foram as pesquisas, a questão da salvaguarda que foi levantada em campo e o posterior registro”, explica Jacira França.

Os autores convidados para falar sobre as manifestações foram Bartolomeu Figueirôa de Medeiros (Frei Tito), Carmem Lélis, Izabel Cordeiro, Izabel Guillen, Ana Beatriz Koslinski, Maria Alice Amorim, Beatriz de Miranda Brusantin, Izabel Arrais e Sandro Guimarães de Salles. Através dos relatos, os capítulos permitem ao leitor a compreensão de quatro nuances fundamentais: 1) identificação – apresentação geral sobre o bem cultural; 2) informações sobre os procedimentos de pesquisa com as comunidades produtoras e mantenedoras de cada tradição cultural; 3) detalhamento sobre os processos de patrimonialização; e, 4) desafios para a salvaguarda apontados pelos detentores.

O primeiro capítulo, intitulado “Inventários do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco como Instrumento Garantidor de Direitos Culturais” foge a esse formato e traz um texto de Marcelo Renan de Souza. O historiador aborda a importância da produção de conteúdos, memórias e registros documentais, através dos Inventários, sobre os grupos e comunidades produtoras destas culturas.

“Pernambuco é o Estado que tem mais bens imateriais no País e queremos dar visibilidade a essas manifestações. O livro é um meio de incentivar grupos e outras manifestações a produzirem material sobre sua própria história, como uma forma de preservação. De certa forma, é também uma forma inspirar outras manifestações”, avalia Jacira, ao adiantar que o material já está disponível gratuitamente AQUI  e a versão impressa será distribuída para órgãos dedicados à preservação do patrimônio cultural.

RESUMO DOS CAPÍTULOS

A Feira de Caruaru – Patrimônio Nacional / Escrito por Bartolomeu Figueirôa de Medeiros (Frei Tito), antropólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, apresenta-se o primeiro bem cultural pernambucano registrado, em 2006, e também o primeiro a constar no Livro de Registro de Lugar – a Feira de Caruaru. Neste artigo, o autor analisa aspectos relevantes para a compreensão da Feira em sua dimensão espacial e simbólica, problematiza ainda as suas transformações contemporâneas e descreve etapas da produção e da documentação que resultou no dossiê de candidatura da Feira.

Frevo Pernambucano Patrimônio Cultural da Humanidade / A historiadora e gestora pública da Secretaria de Cultura da Cidade do Recife, Carmem Lélis, apresenta o segundo bem cultural registrado e, como o título já anuncia, a primeira manifestação cultural pernambucana reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Esse Gunga é meu, Esse Gunga é meu, foi meu Mestre Quem me Deu… / Izabel Cordeiro, professora da Universidade de Pernambuco e Mestra de Capoeira, problematiza as heranças e significados da Capoeira assim como o universo que permeia a patrimonialização e os dilemas para a salvaguarda dessa expressão cultural, registrada em 2008, presente em mais de 180 países e também reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Maracatus-Nação em Pernambuco: Desafios e Possibilidades em Torno do Reconhecimento da Forma de Expressão como Patrimônio Cultural do Brasil / A historiadora Isabel Guillen, professora do Departamento de História da UFPE, e a antropóloga Anna Beatriz Koslinski, Doutoranda em Ciências Antropológicas pela Universidad Autónoma Metropolitana (Cidade do México), escrevem sobre as contribuições do Maracatu-Nação na história da população negra em Pernambuco e apresentam sua trajetória desde as perseguições até a sua aceitação como um produto inserido na lógica do mercado cultural. Trazem ainda reflexões sobre os processos de patrimonialização e de produção do inventário e de outras pesquisas sobre os Maracatus-Nação no Estado.

Baque Solto: Invento Folgazão / A poetisa, produtora cultural e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Maria Alice Amorim, descreve poeticamente as complexas referências culturais que compõe esse bem cultural, predominante na Mata Norte de Pernambuco, cujo cantar e dançar, além da organização social desta manifestação, se completa nessa narrativa.

A Liberdade de Brincar: Cavalo-Marinho, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil / Temos o belíssimo título do artigo da historiadora Beatriz de Miranda Brusantin, docente da pós-graduação em História da Universidade Estácio de Belo Horizonte (MG), ressaltando o sentimento de liberdade para o que antes fora perseguido e proibido e também da autoestima e pertença com a valorização do Cavalo-Marinho como parte importante da identidade nacional.

Teatro de Bonecos Popular do Nordeste (TBPN): Mamulengo / Izabel Arrais, docente no Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE, escreve sobre as origens e questões contemporâneas do Mamulengo. Aponta ainda detalhes dessa expressão cultural em Pernambuco e também dos movimentos e articulações que resultaram na patrimonialização que atinge todo o nordeste e o Distrito Federal.

Caboclinho / O antropólogo e também professor da UFPE, Sandro Guimarães de Salles, destaca o universo simbólico e místico deste que foi o último bem a ser Registrado pelo Iphan, em novembro de 2016. Os Caboclinhos são analisados do ponto de vista da corporeidade, das sonoridades e da religiosidade marcantes desta tradição.

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